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Método de construção reduz consumo de energia e emissão de CO2
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Criatividade, materiais renováveis e baixo consumo de energia. Com base nesta combinação, pesquisadores da COPPE desenvolveram o método construtivo que deu origem ao Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis (CETS) inaugurado dia 14 de junho na COPPE. Formado por três construções – casa ecológica popular, galpão industrial e edifício de serviços, o CETS é um conjunto eco-sustentável de 500 m2. Comparado a projetos similares que usam materiais e métodos tradicionais, o método construtivo adotado pelos pesquisadores conseguiu reduzir em cerca de 250% a emissão de carbono na atmosfera e em 90% o consumo de energia. Financiado pela Eletrobrás, o Centro foi projetado especificamente para as condições climáticas da Ilha do Fundão e vai abrigar a nova sede do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG).

A inauguração, realizada no próprio auditório do CETS, contou com a presença do Reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira, do Diretor de Projetos Especiais e Desenvolvimento Tecnológico e Industrial da Eletrobrás, Ruy Castro, da Diretora da COPPE, Angela Uller; do Coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) da COPPE, Luiz Pinguelli Rosa, do engenheiro Marcos Lima, que representou o Presidente da Eletrobrás, e dos professores da COPPE Suzana Khan Ribeiro e Marcos Freitas.

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Informalidade e quebra de protocolo dão tom da cerimônia
Na cerimônia, a diretora da COPPE destacou o papel do CETS na interação do (IVIG) com outros programas da COPPE, como Engenharia Química (PEQ) e Planejamento Energético. A professora também falou sobre desafio na área de energia, a qual responde por cerca de 50% dos projetos em andamento na COPPE. “A afinidade da COPPE com o setor elétrico é ainda mais antiga que a existente com a área de petróleo, a mais famosa” – afirmou a diretora, lembrando ter sido Furnas a primeira empresa a contratar à COPPE para o desenvolvimento de um projeto, através da Fundação Coppetec.

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Nova sede do IVIG, uma das três construções do CETS

O professor Luiz Pinguelli Rosa ressaltou que a interdisciplinaridade sempre foi uma característica do IVIG, que congrega diferentes programas da COPPE em torno do eixo ambiental. Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ, elogiou a parceria que proporcionou à construção do CETS. Lembrando o “casamento antigo” da COPPE com a Eletrobrás, brincou ao falar de seu interesse particular no surgimento de “namoros” com outros setores da universidade. O reitor destacou ainda a importância de projetos como o CETS para a universidade: “Com este projeto a universidade cumpre, através da COPPE, seu papel social de produtora de conhecimento e tecnologia” – afirmou o reitor.

O CETS é um complexo formado por três construções. Uma delas, a casa ecológica popular, de 46 m2, foi projetada pelas arquitetas Andressa Martinez e Carolina Oliveira Lima e conquistou o segundo lugar em concurso promovido pela UFRJ para projetos de casas populares. Baseada no conceito da eco-construção sustentável, a habitação é voltada para a pesquisa de materiais aplicados em residências de baixo custo. O galpão industrial, de 220 m2, servirá como planta piloto para produção e análise de biodiesel. Com capacidade de produção diária de 10 mil litros de biodiesel, ampliando de 15 para 25 mil litros a capacidade de produção diária de biodiesel da COPPE, que atualmente já o fornece para testes em veículos que circulam no Rio de Janeiro, como o caminhão da Comlurb que circula na ilha do Fundão.

Planta industrial vai produzir biodiesel no Pará

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Visitantes aprendem sobre o funcionamento da planta de biodiesel
A planta industrial de biodiesel do IVIG será posteriormente transferida para o interior do Pará. Convênio firmado entre IVIG, Embrapa, Palmasa (empresa da associação de produtores de óleo de palma e palmisa que fica no município de Igarapé-Açu, a 120 km de Belém) e a CELPA (Companhia Elétrica do Estado do Pará). O biodiesel será produzido pela Palmasa em Igarapé-Açu, onde ficará a planta projetada pelo IVIG, e substituirá o diesel mineral, usado em geradores elétricos usados em Nova Esperança do Piriá, município vizinho. O IVIG estuda a possibilidade de utilizar o excedente da produção em geradores da própria Palmasa, formada por 40 pequenos agricultores. Ruy Castro, Diretor de Projetos Especiais e Desenvolvimento Tecnológico e Industrial da Eletrobrás, falou da importância que representa para a Eletrobrás participar de projetos como o CETS que, afirmou, reduzem o consumo energético e são construções sustentáveis. O diretor defendeu o biodiesel como alternativa para o desenvolvimento de localidades isoladas da região norte:

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O diretor da Eletrobras, Ruy Castro, fala ao lado do reitor da UFRJ, Aloisio Teixeira e da diretora da COPPE, Angela Uller

“O biodiesel é uma fonte alternativa muito valiosa que já está sendo usada nos sistemas isolados, em termelétricas. Ele cria uma cadeia produtiva na região, mantendo a riqueza local, o que não ocorre com o diesel, e ainda reduz a conta de consumo de combustível, paga por todos os brasileiros. Na região Norte, a Eletrobrás desenvolve o Projeto Ribeirinhas, que usa recursos naturais para levar energia de forma sustentável a comunidades que vivem dispersas às margens dos rios e igarapés no Amazonas. O programa usa recursos tecnológicos como painéis fotovoltaicos, que captam a energia solar, e biomassa” – explicou.

A Professora Suzana Khan Ribeiro, do Programa de engenharia de Transportes da COPPE, também falou da importância do desenvolvimento de pesquisas com biodiesel. A professora destacou a vocação inovadora do Brasil no desenvolvimento e utilização de biocombustíveis renováveis, o que, observou, pode ser visto no sucesso dos automóveis do tipo flex ou bicombustíveis, que podem usar álcool ou gasolina. “A produção e o consumo de biodiesel no Brasil ainda é incipiente, mas com pesquisas como as desenvolvidas pelo IVIG, podemos transformar o país em líder mundial de biodiesel assim como acontece com o álcool.” – defende a professora.

Construções sustentáveis: o equilíbrio no uso dos recursos naturais

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Materias alternativos: bambu, tijolos de solo-cimento e telhas de fibra de coco

Além da casa ecológica popular e do galpão para a produção de biodiesel, o CETS tem também um edfício de serviços de 234 m2 onde será a nova sede do IVIG. Nele funcionarão os novos laboratórios e o auditório usado na cerimônia de inauguração, que abrigou os convidados com conforto e sem ar-condicionado, privilegiando a abundante luz do sol e o vento que entravam pelas janelas. Os pesquisadores serão os primeiros a aferir, na prática, a eficiência das construções. Eles vão monitorar dados referentes à temperatura, consumo de energia, comportamento dos materiais, entre outros. “Seremos cobaias da nossa própria pesquisa” – brinca a pesquisadora Sylvia Rola, da COPPE, uma das autoras do projeto.

Os autores do projeto optaram por matérias-primas renováveis e materiais produzidos com baixo consumo de energia, a maioria aplicados com métodos não convencionais. Os tijolos, por exemplo, foram fabricados com a técnica do solo-cimento, ainda pouco utilizada, que consiste no uso do solo do próprio local para construção dos tijolos que são prensados e não queimados, a exemplo dos tradicionais tijolos cerâmicos. O próprio projeto original da casa ecológica popular não havia considerado o uso deste tipo de tijolos: “Desde o início tivemos a preocupação ambiental, mas esta foi aprofundada pelo IVIG com a substituição dos blocos de concreto do projeto original pelos tijolos de solo-cimento” – explica Carolina. A técnica reduz custos e evita a emissão de gás carbônico (CO2) e de metano (CH4) na atmosfera, dois dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa. A estrutura do telhado foi feita com bambu, material renovável facilmente encontrado no Rio de Janeiro. Também foram usadas telhas de celulose, já disponíveis no mercado, e de fibra de coco, desenvolvida pelo IVIG, ambas renováveis.

Além de priorizar a economia de energia na fabricação dos materiais, os pesquisadores do IVIG também levaram em conta aspectos que podem influenciar no uso das construções. O projeto contempla entradas para iluminação e ventilação naturais, pé-direito alto e um terraço coberto por plantas denominadas crassuláceas, que absorvem a água da chuva e a radiação solar, diminuindo a temperatura ambiente – o chamado “telhado verde”.

[28/06/2006]
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